coeur-froid:

Escrevi um livro e agora não sei como começar esse texto, bem eu. Mas é que na hora de agradecer a gente sempre fica meio sem saber o que dizer, sem saber por onde começar, ainda mais quando a lista da gratidão não tem um fim. Todo mundo já deve ter escutado essa história na rádio, ou lido no jornal, ou visto em algum lugar, mas eu vou repetir. Em 2010 criei uma conta no tumblr, criei nada, criaram pra mim. Lembro até hoje do meu primeiro texto, tinha carinhas e espaço antes das vírgulas, mas eu gostei. E essa era a minha regra de ouro, se eu gostei, está o melhor que poderia estar. E um belo dia, eu estava um caco, com o coração na mão e só me restava escrever. Eu contei uma história, a minha história, e a princípio era só pra mim. Mas, depois que eu postei, descobri que era a história da Gabriela, da Barbara, da Iara, da Priscila, da Mel, da Samara, da Micaella, da Carol, da Deborah, da Fernanda, da Beatriz, da menina que morava em outra rua e das várias que moravam em outros estados. Eu descobri que não era só a minha história, era a de milhares de pessoas que olhavam pro que eu escrevia e se viam ali. E quer saber? Essa é a melhor recompensa de qualquer escritor. Eu me chamo Kimberlly Cavalcante, sou escritora, tenho um livro publicado e, com certeza, os melhores leitores/amigos/anjos que eu poderia ter. E graças a Deus, eu sei que esse é mais um capítulo de muitos. Obrigada se você leu até aqui, e se você mesmo de longe, participou disso tudo, mesmo que mandando pensamentos positivos. Com certeza funcionou. Eu amo vocês. 💗 #web #2703 #musica57 #<soosfortesvaoentender
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Você ainda não andou o bastante. E acho que deve se preocupar com o caminho, escolher bem a direção que vai tomar, senão corre o risco de caminhar em círculos e não chegar a lugar nenhum.

Fazendo Meu Filme 2.   (via ill-missyou)
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Viva para agradar os outros, que todos ficaram contentes. Exceto você.

Ana Maria Braga (via autorias)
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Ela estava ausente. Não havia nada a presentificar onde deveria estar. Nenhum fio de cabelo se movia, nenhuma pálpebra batia, nenhuma lágrima caía. Estava ausente da vida, das rotinas e até mesmo do mar que insistia a quebrar nela as suas ondas, mas como a dizê-la que tudo passaria? Estava fora do seu corpo, a embalagem que vestia a sua ausência fazia com que os outros acreditassem que ela ainda existia, andava e comia, quando apenas sobrevivia.

Fred Medeiros. (via autorias)
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João nasceu sem chorar, levou palmada do doutor até a mãe ficar com dó. Parecia que João já veio ao mundo querendo chorar de dor, mas não queria incomodar. João comia todos os vegetais e legumes do prato. João cresceu forte e saudável, com o estômago verde e os olhos azedos pelo espinafre que engoliu ao longo da vida. João quando aprendeu a rimar, odiava o próprio nome. Odiava os colegas na hora da chamada. João, pé de feijão. João passou a odiar os contos de fada. João via girafas no céu, até que alguém disse que nuvem era água vaporizada. E João nunca mais viu uma girava no céu, por medo de contrariar. João odiava matemática, mas estudou e levou um dez por medo de reprovar. João fechava a janela do quarto quando os passarinhos acordavam, porque ele gostava de dormir sempre uma hora a mais, por medo de não conseguir assistir a aula no dia seguinte. João colocava o fone de ouvido baixo, por medo de prejudicar a audição. João reclamava quando o chiclete perdia o açúcar, e nunca passou mais de 5 minutos mascando porque detestava dentista, por medo de apodrecer os dentes. João enricou, por medo de não poder mais reclamar de nada. O João, que odiava matemática, virou engenheiro. João detestava azul, mas comprava sempre da mesma cor, por medo de mudar. João odiava a mulher que dava troco em balas, mas aceitava, por medo de ter que esperar um pouco mais na fila. João jogava as balas fora, não dava pra criança pobre nenhuma, porque não queria alimentar a vadiagem. João odiava o calor, e mandou comprar um ar-condicionado que sugava o seu nariz, porque não queria suar. João nunca montou caras no suporte do ventilador, nem ouviu como sua voz ficaria engraçada se ele tivesse gritado nas hélices. João reclamava do barulho de tábuas rangendo, e nunca conseguiu escutar o som dos netos quando eles começaram a andar. E agora o João era Seu João, um velho que nunca precisou de óculos porque nunca quis saber de ler no escuro, um homem que escutava qualquer coisa, mas preferia ser surdo a ter que ouvir todo aquele silêncio proposital, um homem que comeu todos os vegetais do prato, que não tinha uma única cárie, que era engenheiro e odiava matemática. João morreu dormindo. Por medo de incomodar.

Cinzentos.  (via verbeais)
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